A literatura japonesa existe há cerca dois milénios. As primeiras obras foram fortemente influenciadas pelo contacto cultural com a China, influenciando os escritores japonenes até ao período Edo. Com o reabrir dos portos no século XIX, a literatura ocidental também impinge o seu estilo entre os nipónicos. Este artigo será divido em três periodos: Antigo, Medieval e Moderno, como se pode confirmar abaixo.
Período antigo (até 894):
Com a importação dos kanji da China, criou-se o primeiro sistema de escrita japonês (antes da introdução do caracteres chineses não existia escrita formal).Os caracteres chineses foram depois adaptados para escrever japonês, criando aquela que é considerada a primeira forma de kana, ou escrita silábica, o man'yōgana. As primeiras obras foram criadas no Período Nara. Entre elas incluem-se o Kojiki (712, um trabalho que regista a mitologia japonesa e lendas da antiguidade), o Nihonshoki (720, uma crónica com mais profundidade histórica) e o Man'yōshū (759, uma antologia poética).
Período clássico (894 a 1194, o período Heian)
Normalmente considera-se como período clássico da literatura japonesa o período Heian, referido também como uma época próspera da arte e literatura.
A "Lenda de Genji" (Genji Monogatari) que data do início do século XI e foi composto por Murasaki Shikibu, é considerada a mais proeminente obra de ficção deste período e também como uma das primeiras composições literárias em forma de novela.
A Kokin-siu (Antologia de poesia antiga e moderna, 905) foi reunida pelo poeta Ki Tsurayuki que, no prefácio, proporcionou a base para a poesia japonesa. Ki Tsurayuki é conhecido como actor de um nikki, primeiro exemplo de um importante género literário japonês: o diário.
Período medieval (1195 a 1600)
A literatura medieval japonesa é marcada por uma forte influência do budismo Zen, sendo as personagens monges, viajantes ou poetas ascéticos. Durante este período ocorreram diversas guerras civis no Japão que levaram à formação de uma classe de guerreiros, e consequentemente, à redacção de contos e histórias tendo como temática a guerra.
Os trabalhos deste período são dotadas de considerações acerca da vida e da morte, estilos simples de vida e retenção através da morte. Um exemplo de um trabalho é Heike Monogatari (1371), uma descrição da luta épica entre os clãs Minamoto e Taira pelo controlo do Japão no final do século XII. Outros trabalhos importantes deste período são Hojoki (1212) de Kamo no Chōmei e Tsurezuregusa (1331) de Yoshida Kenko.
Período pré-moderno (1600 a 1868)
A literatura durante este período (Período Edo ou Tokugawa) desenvolveu-se no ambiente de paz que se verificou na maior parte desta época.
Devido em grande parte ao crescimento das classes trabalhadoras e médias na nova capital Edo (actualmente Tóquio), apareceram e desenvolveram-se formas de drama popular que posteriormente evoluíram para kabuki. Hokusai, um dos mais famosos artistas de ukiyo-e, ilustrou trabalhos de ficção além das suas famosas tirinta e seis vistas do monte Fuji.
Períodos Meiji, Taisho e Showa (1868 a 1945)
Durante o período moderno os escritores japoneses foram influenciados por outras literaturas, principalmente as ocidentais. No século XIX destacam-se os romances de Kanagaki Robunis, Tokai Sanshi, Tsubuochi Shoyo e Futabei Shimei. Ozaki Koyo, fundador da Kenyusha (Sociedade dos amigos do nanquim), incorporou técnicas ocidentais e influenciou-se em Higuchi Ichiyo.
No século XX surge o naturalismo, cuja figura principal é Shimazaki Toson. Mori Ogai e Natsume Soseki mantiveram-se afastados da tradição francesa dominante. Nesta arte destaca-se também o autor de relatos Akutagawa Ryunosuke, Yasunari Kawabata (Prêmio Nobel em 1968), Junichiro Tanizaki, Yukio Mishima, Abe Kobo e Kenzaburo Oé (Prêmio Nobel em 1994).











